A velhinha palpiteira e as eternas negociações sobre a temperatura

Esta semana iniciou com temperaturas acima de 30 graus! Terça-feira, 9 horas da manhã, a temperatura era amena, 23 graus, resolvi comprar cerejas na banca que ficava a 100 metros de casa. Levei minha filha comigo, ela teve icterícia, toma vitamina D diariamente e a pediatra recomendou que ela tomasse um pouco de sol pela manhã. Quando estava atravessando a rua, uma velhinha eslovena me parou e disse “Por que você está andando com uma criança neste calor! Com este sol,  este bebê deveria estar em casa”. Olhei para a velhinha com uma cara de passarinha brava e ela resolveu tomar outro rumo.

Desde que vim morar na Eslovênia, eu meu marido sempre disputamos o controle que regula a temperatura dos radiadores. A temperatura ideal para ele é 20 graus, com 24 ele está todo suado. Eu já acho que a temperatura ideal seria 24 graus. Tomar banho juntos, nem pensar! Ou a água é demais quente para ele ou demais fria para mim. Minha sogra  é outra que não consegue entender porque eu não estava animada em desfrutar o mar grego  “a temperatura de 20 graus é tão refrescante”.

Quando Mitja foi ao Brasil pela segunda vez, fomos ao Parque Estadual de Intervales. Lembro quão surpreso ele ficou ao notar que os brasileiros não entravam nas cachoeiras e seguiam a caminhada em frente. Ele e uma família de noruegueses, que também visitava o parque, divertiam-se na água.

– A água está fria Mitja?
– Está um pouco fresca.
– Fresca?
– É… acho que uns 14 graus.

Com um bebê, as “negociações” sobre temperatura aumentaram. Eu acho que 24 graus não é apropriado, ele acha que a criança está passando calor. “Ela nasceu dentro de mim”, brinco. “Ela vai viver na Eslovênia”, ele retruca.

3 Respostas para “A velhinha palpiteira e as eternas negociações sobre a temperatura

  1. Oi,Juliana,Irei a Eslovenia em meados de agosto….a temperatura ainda sera de 30graus nesta epoca ? Voce poderia me passar essa informacao? Desde ja,agradeco. Ana Maria Vitoria Espirito Santo Brasil

    Date: Fri, 13 Jun 2014 09:54:19 +0000 To: anamarialbergaria@hotmail.com

  2. Rssrsrs. tivemos o mesmo problema aqui em casa, éra complicado, meu pai sentia sempre o oposto de nós. Quando ele sentia frio tinhamos que fechar tudo, janelas, portas, etc. ele ligava até seu aquecedor particular (éra só dele), enfim vivemos assim durante varios anos. Lembro-me desse tempo com saudades, ír até o apartamento da praia éra muito complicado pois o calor dele não batia com o calor dos demais, sendo assim ele nunca nos vazia companhia. O tempo passou e recordo com muito amor tudo que vivi com meu querido pai. Gosto muito de ler seus comentários, tenho a impressão de estar perto desse pais que tanto amo, preciso tomar coragem e voltar à Slovenia pois tenho varios parentes e amigos (como vocês) nesse país. Um grande abraço a todos, e quanto ao sol, você sabe muito bem quando a Luna deve ficar exposta. Tenham um bom domingo.

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