O italiano Igor comenta o depoimento da Margarete

Sou italiano, morei a vida toda numa cidade italiana (Trieste) que fica do lado da Eslovênia e, há quase dois anos, estou morando no Brasil. Achei interessante o depoimento da Margarete, a diferença entre o esloveno e brasileiro é realmente bem marcada, porém não acho se trate de falta de educação, mas de diferenças carateriais. O brasileiro é mais aberto, expansivo, o esloveno (não todos) tem um caráter mais contemplativo, fechado e menos propenso à comunicação. O cidadão do leste e norte europeu, inclusive o esloveno, é mais fechado, o brasileiro que tem um caráter mais expansivo pode sofrer com essa atitude. Às vezes o brasileiro que viaja à Europa confunde a falta de educação com a falta de expansividade. Eu falo o esloveno e fui sempre muito bem tratado na Eslovênia, os meus amigos italianos que não falam esse idioma também sempre elogiaram a recepção e disponibilidade do esloveno. Porém entendo que para alguns brasileiros pode ser complicado enfrentar uma realidade muito diferente da brasileira. A saudade de casa, amigos, parentes… pode amplificar ainda mais as sensações negativas de quem está convivendo com diferenças culturais marcantes.

Enquanto a violência, infelizmente não podemos comparar o Brasil com os países europeus… O Brasil é um país com muitas características positivas, porém a violência é ainda um problema dramático. A Eslovênia, país com 2 milhões de habitantes e cerca de 40 homicídios por ano, é ainda um paraíso. Manaus, cidade brasileira com o mesmo número de habitantes da Eslovênia, tem cerca de 700 homicídios por ano…

2 Respostas para “O italiano Igor comenta o depoimento da Margarete

  1. Muito bem escrito o depoimento do italiano Igor. É isso que penso e quando viajo sinto.
    Diferenças culturais sempre causam reaçoes – as vezes negativas.

  2. Olha, fui na Eslovênia em maio passado correr uma maratona em Radenci, no nordeste do país, 40 km de Maribor.
    Procurando coisas antes da viagem, vi que um pessoal da cidade de Ruše, 12 km de Maribor, iria fazer uma maratona de trilha, em Pohorje, um morro da região, só que em agosto. Como só ia ficar 12 dias, escrevi para eles, disse que tinha gostado das trilhas e perguntei se seria possível fazer alguma, já que estava por perto (isso sem saber que não é tão fácil assim se locomover mesmo tão perto).
    Corri minha maratona no sábado, peguei o ônibus no domingo pela manhã (só tinha um às 7 e outro às 19h…), os 2 me pegaram na rodoviária, me levaram para passear em Maribor, conhecer “The Old Wine”, fizemos uma trilha de 4h em Ruše, entre outras tantas coisas até as 18h, horário em que um deles precisava pegar a família que havia passado o dia em algum parque brincando. Isso tudo sem me conhecerem. Nos conhecemos ali na hora da rodoviária. Mantemos contato até hoje e estão me incomodando para ir lá participar da maratona que eles organizam.
    Em Radenci, logo após a maratona, falava com alguns, perguntavam de onde era (Brasil???!! Why Slovenia?) e lá pelas tantas um corredor ofereceu a casa para eu ficar em Celje (infelizmente não era no meu roteiro, senão teria hospedagem).
    Claro, fiquei poucos dias, mas achei-os todos bem receptivos. No hostel em que fiquei em Bled a senhora foi extremamente amável, deu inúmeras dicas.
    Em Bled, na época em que estaria lá, haveria um revezamento. Novamente escrevi para a organização e me colocaram para correr num trio com um cara que tinha feito Paris-Dakar de moto e o outro rapaz tinha participado de equipe olímpica! Tudo isso a custo zero. Nem aceitaram que eu pagasse o valor da inscrição. (Agradeci centenas de vezes todos eles) Foram todos super bacanas comigo, não tenho do que me queixar. Talvez a questão de fazer esporte tenha aproximado, talvez tenha dado sorte, mas a verdade é que sempre que estamos em outro lugar, diferente do nosso (e pode ser dentro do Brasil onde há vários Brazis tão diferentes) é preciso tentarmos entender um pouco da cultura, do jeito local. Às vezes alguns são mais abertos, outros são menos. Aqui também é assim. Sou de Porto Alegre, quando estava em Radenci, quase nem inglês falavam, porque é quase Áustria, mas tinha muito do interior do Rio Grande do Sul por lá, com colonização alemã e italiana, então para mim foi até um pouco de resgate disso (meu pai nasceu num vilarejo de comunidade italiana no interior do Estado).
    Estou até pensando em ir para ficar para sempre (risos). Para quem é do frio do RS e gosta de esportes, acho que não será um tédio como li em algum depoimento. Hehehe

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