Diferenças entre a França, o Brasil e a Eslovênia III

O francês Oliver expôs de maneira humorada diferenças culturais entre o Brasil e a França. “Aqui são umas das minhas observações, às vezes um pouco exageradas, sobre o Brasil. Nada sério”. Escrevi sobre as diferenças entre o Brasil e a Eslovênia.

Oliver: Aqui no Brasil, se acha tudo tipo de nomes, e muitos nomes americanos abrasileirados: Gilson, Rickson, Denilson, Maicon, etc.
Há também muitos nomes estrangeiros “adaptados” ao idioma esloveno: como Maks (Max), Matevž (Mateus), Klavdija (Cláudia), Marija (Maria),  Jože (John), Jurij (Iuri), Jan (Ian), Matiaž (Matias), Patricija (Patrícia), Anamarija (Ana Maria), Marjeta (Marieta)…

Oliver: Aqui no Brasil, quando comprar tem que negociar.
Nunca vi qualquer esloveno pechinchando algo, mas não posso afirmar que a “não pechincha” é típica do esloveno ou é típica da família do meu marido.
Lembro até hoje a cara do Mitja quando mencionei que gostaria de pedir desconto em um caro produto que estávamos comprando à vista. Depois que consegui interessantes descontos, Mitja já não faz mais cara feia, ele está se acostumando, agora suas expressões faciais podem ser traduzidas como  “acho que irei do outro lado da loja” e  “lá vai ela de novo“.

Oliver: Aqui no Brasil, os homens se abraçam muito. Mas não é só um abraço: se abraça, se toca os ombros, a barriga ou as costas. Mas nunca se beija. Isso é gay.
Diferentes regiões da Eslovênia, diferentes costumes. Os familiares de Mitja que moram em Radeče (oeste da Liubliana) sempre trocam afetuosos abraços com outros homens e também se tocam muito. Os eslovenos que moram em Liubliana tem a fama de serem assim…  (como escrever isso sem criar problemas) um tanto mais cuidadosos na manifestação de expressões afetivas (sic). Mitja comentou que seu melhor amigo o abraçou apenas uma mês ao se despedir quando mudou do país. Homens abraçam outros homens apenas em situações especiais como Ano Novo, aniversário, casamento…

Oliver: Aqui no Brasil, as lojas, o negócios e os lugares sempre acham um jeito de se vender como o melhor. Já comi em em vários ‘melhor buffet da cidade’ na mesma cidade. Outro super-ativo de cara de pau é ‘o maior da América latina’. Não custa nada e ninguém vai ir conferir.
Na Eslovênia apenas restaurantes que receberam algum tipo de certificado e foram avaliados por algum instituto ou revista, fazem marketing sobre o título recebido.

Oliver: Aqui no Brasil, tem uma relação ambígua e assimétrica com a América latina. A cultura do resto da América latina não entra no Brasil, mas a cultura brasileira se exporta lá. Poucos são os brasileiros que conhecem artistas argentinos ou colombianos, poucos são os brasileiros que vão de férias na América latina (a não ser Buenos Aires ou o Machu Pichu), mas eles em geral visitaram mais países europeus do que eu. O Brasil às vezes parece uma ilha gigante na América latina, embora que tenha uma fronteira com quase todos os outros países do continente.
Concordo com o Oliver, somos uma ilha. Os eslovenos ficam admirados quando descobrem que não aprendemos nas escolas o idioma espanhol.

Oliver:  Aqui no Brasil, relacionamentos são codificados e cada etapa tem um rótulo: peguete, ficante, namorada, noiva, esposa, (ex-mulher…). Amor com rótulos.
Na Eslovênia só tem status de casado quem se casou no civil. Mesmo que você more com uma pessoa há 10 anos, ela será seu(ua) namorado(a).

Oliver:  Aqui no Brasil, a comida é: arroz, feijão e mais alguma coisa.
Eu poderia dizer que nos primeiros 3 meses que vivi na Eslovênia, 60% das refeições feitas na casa da sogra eram: batata (assada, cozida, em salada), carne de porco (à milanesa, assado,  cozido) mais alguma coisa.

Oliver: Aqui no Brasil, o povo é muito receptivo. E natural acolher alguém novo no seu grupo de amigos. Isso faz a maior diferença do mundo. Obrigado brasileiros.
É, os brasileiros são realmente conhecidos no mundo todo pela receptividade. Seria incorreto eu generalizar dizendo que os eslovenos não são receptivos.  Todos os amigos e familiares do Mitja sempre me trataram com muito carinho. São também muito receptivos eslovenos que viajam bastante, que admiram a cultura latina. Mas é também verdade que uma vez fora do círculo familiar e de amigos do Mitja passei por experiências que de forma eufêmica eu poderia classificar: não receptivas.

Oliver: Aqui no Brasil, o brasileiros acreditam pouco no Brasil. As coisas não podem funcionar totalmente ou dar certo, porque aqui, é assim, é Brasil. Tem um sentimento geral de inferioridade que é gritante. Principalmente a respeito dos Estados Unidos. Tô esperando o dia quando o Brasil vai abrir seus olhos.
Os eslovenos parecem ter muito mais orgulho de sua história, do seu povo e do seu país.

Oliver: Aqui no Brasil, tem um organismo chamado o DETRAN. Nem quero falar disso não, não saberia por onde começar…
A burocracia na Eslovênia tem má fama.

Oliver: Aqui no Brasil, os brasileiros se escovam os dentes no escritório depois do almoço.
Os eslovenos não usavam até 1991 fio dental. Ainda hoje, o uso do fio dental não é tão popular como no Brasil. Também raramente você verá um esloveno com aparelhos nos dentes. Já vi duas ou três crianças, adultos jamais vi. Aqui o aparelho dentário custa 2.500 euros!

Oliver: Aqui no Brasil, se limpa o chão com esse tipo de álcool que parece uma geleia.
Aqui meu marido já acha um absurdo eu usar água sanitária para limpar pisos e azulejos três vezes no ano.

Aqui no Brasil, a versão digital de ‘fazer fila’ e ‘digitar códigos’. No banco, pra tirar dinheiro tem dois códigos. No supermercado, o leitor de código de barra estando funcionando mal tem que digitar os códigos dos produtos. Mas os melhores são os boletos pra pagar na internet: uns 50 dígitos. Sempre tem que errar um pelo menos. Demora.
Realmente no Brasil há as senhas são maiores e mais complicadas. Aqui para sacar dinheiro do banco basta você digitar 4 dígitos.

Oliver: Aqui no Brasil, o sistema sempre tá “fora do ar”. Qualquer sistema, principalmente os terminais de pagamento de cartão de crédito.
Experiência como está eu nunca vivenciei no Brasil e na Eslovênia. Já em Cuba…

Oliver: Aqui no Brasil, pode pedir a metade da pizza de um sabor e a metade de outro. Ideia simples e genial.
Que saudades das pizzas brasileiras… Elas são muito mais gostosas que as pizzas eslovenas. Aqui também não há a opção de escolher dois sabores para a pizza.

Oliver: Aqui no Brasil, no tem água quente nas casas. Dai tem aquele sistema muito esperto que é o chuveiro que aquece a água. Só tem um porem. Ou tem água quente ou tem um vazão bom. Tem que escolher porque não da para ter os dois.
O Mitja também ficou admirado quando soube que é o chuveiro que esquenta a nossa água. Ele sempre olhou o chuveiro e os fios elétricos com apreensão.

Oliver: Aqui no Brasil, as pessoas saem da casa dos pais quando casam. Assim tem bastante pessoas de 30 anos ou mais morando com os pais.
Na época do socialismo, os pais tinham condições de construir casas grandes. Muitos eslovenos tem casas de 3 andares. Com o fim do socialismo, os filhos já não possuem as mesmas condições financeiras. Estes passaram a reformar um dos andares da casa  e fizeram deste seu lar.  É como se fosse um novo apartamento dentro de uma casa. Há cozinha, sala e entrada para a casa independentes.

Oliver: Aqui no Brasil, tem três palavras para mandioca: mandioca, aipim e macaxeira. La na franca nem existe mandioca.
Alguns estudiosos falam que na Eslovênia – país tão pequeno, com menos de 2 milhões de pessoas –  há de 36  até 46 dialetos e sub-dialetos!

Oliver: Aqui no Brasil, tem o numero de telefone tem um DDD e também um número de operadora. Uma complicação a mais que pode virar a maior confusão.
Os eslovenos geralmente contratam uma empresa de telefone e toda vez que você usar o telefone pagará para ela. A concorrência está para você assinar com a operadora e não para fazer a ligação.  Assine conosco e ganhe um Ipad.

Oliver: Aqui no Brasil, no táxi, nunca se paga o que esta escrito. Ou se aproxima pra cima ou pra baixo.
Na Eslovênia  felizmente não é costume arredondar o troco.

Oliver: Aqui no Brasil, marcar um encontro as 20:00 significa as 21:00 ou depois. Principalmente se tiver muitas pessoas envolvidas.
Os eslovenos são certamente mais pontuais. Os eventos sempre começam no horário marcado.

Oliver: Aqui em Belo Horizonte, e a menor cidade grande do mundo. 5 milhões de habitantes, mas todo mundo conhece todo mundo. Por isso que se fala que BH é um ovo. Eu diria que é um ovo frito. Assim fica mais mineiro.
Liubliana, a capital e maior cidade da Eslovênia só tem 300.00 habitantes. Já nos primeiros meses de casada conheci 7 ex-namoradas do meu marido (risos). Eu moro na sexta maior cidade eslovena – Koper – ela só tem 40.000 habitantes! Quando eu morava em Jezero, próximo de Liubliana, fui fazer uma consulta regular no ginecologista e depois de 15 dias soube que a cabeleireira da região cumprimentou a minha sogra por eu estar grávida. Nem eu sabia que estava grávida. Também o padre da igreja já citou meu nome em um dos batizados  “você mora na rua daquela brasileira?” Soube também que ele perguntou por aí  ” Por que uma brasileira – um país tão católico –  não frequenta missas?”

Leia também:
. Diferenças entre a França, o Brasil e a Eslovênia I
. Diferenças entre a França, o Brasil e a Eslovênia II

6 Respostas para “Diferenças entre a França, o Brasil e a Eslovênia III

  1. ” Aqui no Brasil, pode pedir a metade da pizza de um sabor e a metade de outro. Ideia simples e genial.
    Que saudades das pizzas brasileiras… Elas são muito mais gostosas que as pizzas eslovenas. Aqui também não há a opção de escolher dois sabores para a pizza”
    Isso com certeza nao e verdade. Eu conheco muitas lugares que voce pode escolhar ate quatro sabores. Para mim e mihna esposa (ela e brasileira) pizzas en Eslovenia sao muito melhores que aqui no Brasil.

    • “Isso com certeza não é verdade”?! Como escrevi na página de contatos, as observações que faço são relativas a região que conheço e ao meu círculo social. Pode ser que “minha verdade” não seja a mesma que a sua. Nestes 4 anos, todas as pizzarias que eu tentei escolher duas opções de sabores disseram que não faziam este tipo de serviço. Mitja também diz que isto não uma prática comum na Eslovênia. É verdade também que depois de tantas negativas parei de perguntar.
      Faça alegria dos brasileiros que moram aqui, escreva-me quais são estas pizzarias.
      Sua esposa brasileira prefere as pizzas eslovenas, já meu marido esloveno prefere as pizzas brasileiras ;)

      • Oi Juliana,
        Primeiro desculpe me, porque meu portugues nao e muito bom. Eu sou esloveno e eu morei no lugar Horjul. La tem pizzeria Sports House, no Vrhinka tem pizzeria Cankarjev Hram, perto do LJubljana no lugar Dobrova tem pizzeria Kramarjev Hram. Tem mais pizzerias que faz isso no Ajdovščina, Ljubljana, Logatec que eu se lembo.

        Mas quando a gente vai mudar la na Eslovenia, eu te aviso e talvez vamos juntos para uma pizza deliciosa :-)

        Um abraco

        Janez

  2. Prezada juliana, tenho recebido seus emails sobre a eslovenia. Fiquei muito encantada com a qualidade de vida dai. O nome de minha filha e clarice, tem 31 anos, e bonita , esta so, que tal um esloveno ? Ela fala ingles fluente, morou nos states por quse 10anos. Os protestos por aqui continuam, com vias de nao acabarem tao cedo. Um abraco de cal.

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