Da série: Fim de ano da Eslovênia

No Brasil, estamos acostumados que as pessoas sempre abrem os presentes após recebê-los. Lembro que uma querida e falecida tia sempre dava-me sabonetes Magnólia de presente, não importa se era Natal, aniversário, Dias das Crianças. E apesar de não gostar do cheiro do sabonete,  para manter a harmonia social e doméstica, eu seguia os conselhos maternos “Sempre diga às pessoas que gostou do presente, diga também que não precisava”

Na Eslovênia é diferente. Quantas vezes eu já dei presente para as pessoas e elas apenas disseram obrigado(a), não demonstravam curiosidade em abrir o pacote. E mesmo depois, em um próximo encontro nunca me falaram se gostaram ou não do que ganharam.

“Não abrir presentes” é um costume esloveno? Não sei,  alguns eslovenos abrem presentes na hora e falam que gostaram do presente, outros abrem o presente depois de meia hora e uns nunca abrem. Vou criar a minha pessoal Estatística Natalina – Ano 2012.  5 presentes dados, 1 presente aberto.  Resultado abaixo do esperado: 80% dos eslovenos não emitiram opinião a respeito do presente.

Ai que chato, ai que chato… dizia ao Mitja no primeiro ano. Depois de 4 natais, talvez você caro leitor, cara leitora me pergunte: E aí Juliana, você se já acostumou? Eu respondo: Não! Não me acostumo, não me acostumo!  Gosto de presentes abertos, de papel rasgado, de olhares, de sorrisos… ou talvez por tanto mentir, acabei me acostumando a ideia de ouvir mentiras.

Mentiras são ambivalentes. Menti e ganhei 14 sabonetes Magnólia! Mas é também verdade que vi 14 sorrisos no rosto da minha tia. Ela dava o que podia, eu mentia porque gostava dela.

Dizem que longe, a gente sente saudades das coisas simples da vida. Hoje sinto saudades do sabonete carinhosamente embrulhado por ela, hoje sinto saudades da minha tia..