Meu marido é esloveno, muitas pessoas ficam curiosas em saber como eu conheci ele. Quando eu respondo que foi pela internet vejo a surpresa no rosto de todos. Logo após aparecem as perguntas:
- Nossa, mas você não tinha medo?
- Ele era diferente pessoalmente?
- Mas ele poderia ter mentido para você?
- Você teve sorte poderia ter dado tudo errado!
Conheci meu marido em um site de relacionamentos. Não, não sou fã de sites de relacionamentos, eu era apenas uma moça com tédio, recém saída de um relacionamento de 7 anos, que estava com dificuldades para retomar minha vida social. A grande maioria dos meus amigos não moravam em Campinas e os meus amigos de Campinas, também eram amigos do ex.
Certa noite, sonhei que tinha conhecido um francês hippie, que tocava violão. Achei coincidência encontrar no dia seguinte uma propaganda de sites de relacionamentos com estrangeiros. Entrei no site por curiosidade, pensei que aquilo seria uma boa idéia para praticar meu inglês. Não, não estava procurando um marido europeu! Eu era estudante de psicologia, estava no último ano da faculdade, estudava psicanálise e não fazia parte dos meus planos namorar um estrangeiro e mudar de país.
Criei um perfil e procurando por pessoas que falassem inglês e português, encontrei o perfil do Mitja, meu marido.
Mitja fazia capoeira na Eslovênia há 4 anos, já havia vindo no Brasil para fazer mestrado e adorava o povo e a cultura brasileira.
Medo
Tudo na vida é um risco, eu tentei minimizá-los. Não conversava apenas com o Mitja, mas fiz contato com amigos, familiares, colegas da faculdade… Conversei com brasileiros que moravam na Eslovênia e conheciam o Mitja, com brasileiros que trabalhavam com ele. Fiz 1000 perguntas à todos sobre ele.
Eu conversava com Mitja no mínimo 4 horas por dia, pelo skype, todos os dias. Antes de conhecer Mitja pessoalmente eu havia conversado com ele mais de 400 horas.
Com a distância, o nosso namoro virtual foi um namoro entre idéias. Conversamos sobre tudo, sobre nossas histórias, bons e maus momentos. Compartilhamos problemas, alegrias… Eu não coloquei máscara de boa moça, de moça perfeita, sei que esta caíria e a relação seria comprometida, quis que Mitja gostasse de mim, não da imagem que eu teria desenhado para ele.
Neurótica?! Eu pedi que Mitja fizesse exames de doenças sexualmente transmissíveis.
Medo?! As pessoas beijam outras em boates e carnaval, muitas vezes conhecem tão pouco sobre o(a) parceiro(a) com quem estão saindo. O contato do corpo, a convivência não são garantias de que o outro corresponde a suas expectativas.
Conheço casais que namoraram mais de 10 anos e ficaram menos que 1 ano casados! Conheço um casal super apaixonado, pais de dois filhos, que decidiram se casar após 3 meses de namoro!
Uma coisa eu aprendi: estar perto, não é necessariamente estar ao lado. Quantas vezes já havia me sentido só estando acompanhada. Com Mitja era diferente, nenhum amigo, familiar ou ex-namorado, fez-me sentir tão à vontade, tão íntima quanto Mitja que estava longe. Todas as noites eu via ele dormir pelo skype, quando acordava, lia o recado de bom dia.
Após 3 meses que falei com ele pela primeira vez, ele veio ao Brasil. E não, ele não era diferente pessoalmente, nem nas ações e nem na aparência.
3 dias depois ficamos noivos. Convivemos durante 20 dias depois ele voltou para a Eslovênia, e eu… eu era só saudades. Mais 3 longos meses de namoro pela skype e ele novamente veio ao Brasil, conheceu meus amigos, minha família. Esperei terminar a faculdade e então vim para Eslovênia.
Vim para ficar, poderia voltar se quisesse, Mitja moraria comigo no Brasil, mas eu me apaixonei pelo país e decidi morar aqui. Após um ano que teclei com o Mitja pela primeira vez eu me casei com ele. Morava na Eslovênia apenas há 2 meses.
Ao todo eu convivi com o Mitja 30 dias antes de mudar para Eslovênia e 90 dias antes de me casar!
Sorte
Uma coisa as pessoas acertam, sim, eu sou uma mulher de sorte. Mitja e eu gostamos das mesmas músicas, dos mesmos lugares, dos mesmos tipos de filmes, livros, não brigamos para escolher férias de verão, tipo de diversão, etc, etc. Ironicamente, o namorado que eu menos convivi foi o que eu menos tenho conflito, é o que eu mais tenho afinidade. Porque na vida a dois, são os pequenos detalhes do dia-a-dia que causam brigas.
Eu casaria com ele todos os dias da minha vida. Casei com o meu melhor amigo, com o homem de coração mais bondoso que conheço. Sorte é encontrar alguém que faz a vida ser leve e doce.
Não, não estou com este post, incentivando o namoro virtual, conheço seus riscos. Mas estou dizendo “as histórias de amor, ah….. estas podem ser diversas”.







